
Nem o mais burro, nem o mais oportunista, pode nesse momento negar que o processo de impeachment da presidente jamais poderia ter sido conduzido por Eduardo Cunha.
A confirmação de que tudo foi favorável a um golpe parlamentar, ainda que tardia, é irrefutável diante da decisão do ministro Teori de lhe afastar do mandato.
“Não há a menor dúvida de que o investigado não possui condições pessoais mínimas para exercer, neste momento, na sua plenitude, as responsabilidades do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados, pois ele não se qualifica para o encargo de substituição da Presidência da República, já que figura na condição de réu”, escreveu o ministro do STF.
O pedido da PGR foi feito em dezembro de 2015 e nada justifica a demora, senão a condescendência do STF com um processo flagrantemente viciado.
A OAB e os juízes que patrocinaram outdoor em apoio ao impeachment, jamais cobraram o STF pela demora. Não fizeram atos de protesto para pedir o afastamento de Cunha. A fatura chegou.
Os atos que Cunha conduziu foram legitimados pela omissão da OAB e dos ativistas do judiciário. Vão carregar o defunto.
Pior, sai um réu, entra outro em seu lugar.
O país amanheceu sem segurança jurídica.
