
Há 3 meses, primeiras mulheres passaram a procurar grupo criado por vítimas estupradas pelo ex-médico para relatar abusos sexuais do médium. Foi o ponto de partida do escândalo.
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A reportagem que trouxe a denúncia de abuso sexual contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, 76, no programa Conversa com Bial, da TV Globo, foi um novo capítulo do ativismo de mulheres que haviam sido, elas próprias, vítimas de um outro caso rumoroso, o do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por estuprar 37 pacientes em sua clínica de reprodução em São Paulo.
Criada em 2012 por vítimas de Abdelmassih, a organização Vítimas Unidas vinha recolhendo relatos contra o médium desde setembro e procurando apoiar as mulheres que contam terem sido abusadas pelo líder religioso. Junto com o Vítimas Unidas, a ativista Sabrina Bittencourt, que diz representar uma das filhas de João de Deus, também ajudou a organizar os relatos o goiano.
A organização é formada por mulheres que destinam parte de seu tempo ao ativismo contra abusadores sexuais, agressores de mulheres e erros médicos, entre outros crimes.

Handout / Reuters
Roger Abdelmassih na ocasião de sua prisão no Paraguai.
“Quando a vítima passa por essa situação de abuso, ela chega em casa, conta e a família não acredita. Ela se fecha, guarda para si. Meu papel, como psicóloga, é fortalecer essa vítima para que ela possa fazer a denúncia”, explica Maria do Carmo Santos, 55, atual presidente do Vítimas Unidas, que mantém os nomes das vítimas sob sigilo.
Parte desse trabalho de investigação tornou possível a veiculação da denúncia levada ao ar, na madrugada deste sábado (8), no programa Conversa com Bial, da TV Globo, dando início à tempestade em torno de João de Deus, um líder espírita que ganhou celebridade internacional e que atrai multidões à pequena cidade goiana de Abadiânia (17 mil habitantes).
Desde que o programa foi ao ar, mencionando 13 vítimas de João de Deus entre 2000 e 2018, houve uma enxurrada de novos relatos. Nesta quarta (11), promotores de Goiás disseram que mais de 200 mulheres afirmam terem sido abusadas pelo médium. Elas vivem nos Estados e Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Mato Grosso.

