Tribunal indiano define como “genocídio” as mortes de pacientes por falta de oxigênio

Tribunal indiano define como “genocídio” as mortes de pacientes por falta de oxigênio

Juízes do estado de Uttar Pradesh, o mais populoso do país, ordenam investigação de mortes por falta de cilindros

Daniel Giovanaz – Brasil de Fato

“As mortes de pacientes de covid-19 pelo não fornecimento de oxigênio a hospitais são um ato criminoso e nada menos do que um genocídio cometido por aqueles que foram incumbidos da tarefa de garantir a aquisição contínua desse insumo.” 

Essa declaração foi feita pelo Tribunal Superior Allahabad, principal corte de Uttar Pradesh, estado mais populoso da Índia, na última terça-feira (4). No despacho, os juízes Ajit Kumar e Siddhartha Varma ordenam a autoridades locais a investigação de óbitos de pacientes em hospitais de duas cidades onde teria havido negligência no fornecimento, Meerut e Lucknow. 

::A tragédia da covid-19 na Índia que não aparece nos números oficiais::

Ao menos cinco pessoas morreram por falta de oxigênio hospitalar no último domingo. Nas redes sociais, circulam vídeos de pacientes implorando por um cilindro para salvar a vida de seus familiares.

Como podemos deixar nosso povo morrer dessa forma em um momento em que a ciência está tão avançada que até mesmo transplantes de coração e cirurgias cerebrais são possíveis?”, questiona o documento publicado pelo tribunal.

No mês passado, a Índia tomou o lugar do Brasil como novo epicentro da covid-19. Com população seis vezes maior que a do Brasil, o país registrou 20,7 milhões de infectados e 226 mil mortes. Em 15 de março, a média diária de óbitos era inferior a 150. Hoje, ultrapassa a casa dos 3,5 mil.

Situação análoga

Em janeiro, hospitais de Manaus (AM) entraram em colapso por falta de oxigênio. Entre os dias 14 e 15, pelo menos 30 pessoas morreram devido à indisponibilidade de cilindros.

O governo de Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que foi informado do desabastecimento de oxigênio em Manaus em 8 de janeiro, oito dias antes do esgotamento dos estoques.

O então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, deve ser questionado sobre o tema na próxima semana durante a CPI da Pandemia, que já ouviu os ex-ministros Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta.

Edição: Vinícius Segalla

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