
Com investimento em consultórios móveis e alcance em 400 cidades, a iniciativa garantirá atendimento humanizado pelo SUS
Brasil de Fato – O governo federal realizou nesta quarta-feira (24), na capital paulista, o lançamento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (PNAIS Rua), que estabelece diretrizes para garantir atendimento contínuo e integral a esse público.
O anúncio ocorreu na Casa de Oração do Povo da Rua, na região da Luz, no centro de São Paulo, espaço historicamente coordenado pelo padre Júlio Lancellotti.
Antes do início da solenidade, o religioso levou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para conhecer as instalações da casa, incluindo a padaria que produz diariamente pães para a população vulnerável da região.
“Esta casa foi construída pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e foi construída com os recursos que ele recebeu dos budistas”, relembrou o padre Júlio Lancellotti durante a apresentação.
A nova diretriz estabelece parâmetros para garantir o atendimento contínuo, integral e humanizado às pessoas que vivem em situação de rua no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Como parte da estratégia de implementação da política, o governo federal anunciou o repasse de veículos adaptados a 400 municípios, com o objetivo de romper barreiras geográficas e levar as equipes de saúde diretamente aos territórios de maior vulnerabilidade.
Matheus Santos, representante da Casa de Oração, celebrou a iniciativa, mas ressaltou a urgência do atendimento na ponta: “A realidade da rua é complexa, a rua tem pressa e hoje a gente enfrenta um limbo institucional doloroso aqui na nossa cidade.” Ele defendeu ainda que pensar a saúde de quem está na rua não pode ser uma ação isolada, exigindo articulação direta com a assistência e a moradia.
A medida integra um pacote de investimentos somando diversas frentes, sendo que apenas o Ministério da Saúde destinou R$ 144 milhões para a compra dos veículos adaptados, além de R$ 85 milhões anuais para manutenção e R$ 30 milhões para expansão da rede. O montante global inclui ainda R$ 46 milhões do Ministério da Justiça e Segurança Pública para assistência jurídica e redução de danos.
Para o deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), a ação é um marco que devolve o respeito aos profissionais e pacientes. Ele ilustrou o impacto das unidades móveis ao relembrar o depoimento de trabalhadoras do SUS: “Antes a gente estava colhendo sangue na calçada sem nenhuma relação de dignidade. E hoje a gente tem um consultório.” O evento contou ainda com a presença de outras autoridades, como o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT).
A secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, ressaltou que a criação da nova política é fruto de um longo processo de escuta. “A gente consegue, com muita maturidade, agora em 2026, ter a consolidação pactuada com movimentos sociais, pactuada com o Conselho Nacional de Saúde, pactuada com secretarias de estado e municipais de saúde”, celebrou. O avanço na cobertura do programa Consultório na Rua, que saltou de 173 para 335 equipes, foi destacado como um pilar da gestão.
Em seu discurso, o ministro Alexandre Padilha detalhou a função das novas unidades entregues: “É toda uma estrutura de uma unidade básica de saúde adaptada para estar na rua, levando os profissionais até onde as pessoas estejam”.
Padilha enfatizou que os veículos possibilitarão a realização de consultas, exames ginecológicos, coleta de sangue, testes rápidos e curativos no próprio território, garantindo que o SUS chegue a quem mais precisa.
Após o encerramento do ato formal, que contou com espaço de fala e escuta de lideranças e movimentos sociais locais, foi realizado um momento de convivência entre os presentes. Na sequência, a equipe do Ministério da Saúde e os frequentadores do espaço permaneceram na Casa de Oração para acompanhar a partida da Seleção Brasileira contra a Escócia, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.
