Com a aprovação maciça da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, deputados e senadores confirmam alto nível de desfaçatez e baixo nível de compromisso que têm com a sociedade.
Na Câmara o decreto foi aprovado com 340 votos.
No Senado, com 55.
Eles não se preocupam nem um pouco com os argumentos de especialistas em segurança que consideram a medida extrema, ineficaz e seletiva.
A Defensoria Pública do Rio emitiu nota condenando a intervenção:
“O combate ao crime não autoriza a prática, pelo Estado, de violações de direitos individuais, como prisões sem ordem judicial ou flagrância, invasões de domicílio ou os já anunciados mandados de busca e apreensão coletivos – medidas sem respaldo constitucional e que penalizam apenas a população pobre.”
Até a OAB, tão acomodada à violações constitucionais no pós-golpe, criticou em nota a previsão no decreto de mandatos coletivos de busca e apreensão.
“Tal expediente não é previsto em lei e vai de encontro ao Código de Processo Penal, que determina especificar a quem é direcionado o mandado”.
E daí se Sergipe, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte possuem índices mais alarmantes de violência, como alegou a minoria em oposição?
Coerência é algo que o Congresso Nacional não reflete desde o início do golpe que derrubou a presidenta eleita.
Pudor, menos ainda.
“Estamos numa guerra contra o crime”, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Como assim? Os deputados barraram duas investigações que poderiam afastar o presidente qualificado como chefe de quadrilha.
No senado, até quem estava afastado por motivos de doença fez questão de voltar para garantir a manutenção mandato de Aécio Neves, flagrado em áudio ameaçando matar delator que se colocasse em seu caminho.
Que moral supõem ter deputados e senadores tão condescendentes com políticos denunciados por vários crimes para bravatear com a violência no Rio?
Como bem observou Affonso Romano de Sant’Anna, “mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente.”
Mente, descaradaMentem.