Um raio-X das marcas nativas da Amazônia

Um raio-X das marcas nativas da Amazônia

O Globo, por Renan Setti – As marcas nativas da Amazônia são pequenas, informais, enfrentam gargalos logísticos e ainda sofrem para atingir o equilíbrio financeiro. Mas encontraram fortalezas em áreas de alto apelo, como a indústria da beleza, e reforçam a viabilidade de um caminho sustentável para a exploração da floresta.

O diagnóstico é de uma pesquisa do programa Amazônia em Casa, Floresta em Pé, da Climate Ventures. O estudo atraiu a inscrição de 222 marcas amazônicas, das quais 35 foram selecionadas para entrevistas em profundidade sobre temas que vão do modelo de negócio ao perfil financeiro. Abaixo, as principais descobertas do levantamento.

Origem

Segundo o estudo, 71% das marcas ficam na Região Norte (sendo mais de um terço delas no Pará e quase um quarto no Amazonas). Dezoito por cento das marcas pesquisadas ficam no Sudeste e 1%, no Sul: compram insumos na Amazônia e os processam em suas regiões.

Segmentos

Cerca de um terço (32%) das marcas atua com alimentos, e um quinto (21%) pertence ao ramo de cosméticos naturais — uma área privilegiada pelo alto valor agregado e apelo comercial, inclusive no exterior.

Estrutura

O estudo detectou alto nível de informalidade. Um terço (34%) das marcas tem equipes de dois a cinco funcionários, e 29% não têm colaboradores fixos e remunerados. Algumas contratam mão de obra sazonal para a colheita ou o processamento de matéria-prima.

Faturamento

Quanto ao enquadramento, 30% das marcas são MEI e outros 30%, microempresas. O faturamento anual é baixo: varia entre R$ 50 mil e R$ 500 mil. Apenas 35% são financeiramente sustentáveis.

Sustentabilidade

De acordo com o panorama, 83% das marcas priorizam matérias-primas colhidas de forma sustentável e renovável, respeitando os ciclos naturais. Três quartos (74%) dizem educar os consumidores sobre a importância da preservação da floresta e sobre o impacto de suas compras nessa agenda.

Insumos

Os insumos da Amazônia mais usados são frutas ou sementes (caso de 61% das marcas), castanhas ou nozes (38%) e fibras ou materiais naturais provenientes de frutos ou sementes (35%).

Modelo

Sobre o modelo de negócio, 92% das marcas atuam com B2C (venda ao consumidor final), mas 59% também operam no modelo B2B (venda para empresas), e metade recorre ao B2B2C (venda para empresas que distribuem o produto diretamente ao consumidor final).

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