Pesquisa mostra aumento de mais de 900% no uso de defensivos agrícolas no estado entre 2009 e 2023; avanço do desmatamento e expansão da soja estão entre as principais causas
Conecta, redação – Um estudo publicado na Revista Observatorio de la Economía Latinoamericana aponta que Rondônia é o estado da Amazônia Legal com um dos maiores crescimentos no consumo de agrotóxicos no Brasil.
Em 14 anos, o volume de produtos químicos agrícolas saltou de 1.654 toneladas em 2009 para 18.165 toneladas em 2023, um aumento superior a 900%.
De acordo com o levantamento, a taxa composta de crescimento anual (CAGR) do estado é de 17,35%, quase três vezes maior que a média nacional (6,94%).
Manuseio de produtos agrícolas estudos apontam necessidade de capacitação e controle no uso de agrotóxicos para evitar contaminações.
Entre os produtos mais utilizados estão o glifosato(herbicida aplicado em lavouras de soja e milho), o 2,4-D (usado em pastagens) e o Carbendazim(fungicida empregado no controle de doenças agrícolas).
A pesquisa foi conduzida por três cientistas com atuação em Rondônia:
- Dr. César Luiz da Silva Guimarães, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em Porto Velho;
- Dra. Viviane Pereira Bacarin, do Instituto de Ensino Superior de Rondônia (IESUR), em Ariquemes;
- Dr. Andreimar Martins Soares, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Rondônia).
O grupo analisou dados oficiais do IBAMA, IBGE e MAPA, comparando o uso de agrotóxicos em nove estados brasileiros entre 2009 e 2023. Segundo o Dr. Guimarães, Rondônia se tornou um “amortecedor de impactos ambientais” dentro da Amazônia, refletindo os efeitos diretos da expansão da fronteira agrícola.
“O estado perdeu cerca de 29% de sua cobertura original entre 1994 e 2023. O desmatamento e o avanço da pecuária e da agricultura têm impulsionado tanto a perda florestal quanto o consumo de defensivos”, explicou o pesquisador.
Expansão agrícola impulsiona uso de agrotóxicos em Rondônia, refletindo o avanço da fronteira agropecuária na Amazônia.
O levantamento mostra que, entre os estados da Amazônia Legal, Rondônia, Acre e Paráregistraram as maiores taxas de crescimento no uso de agrotóxicos.
Os pesquisadores alertam que essa tendência acompanha o avanço da fronteira agrícola na região conhecida como AMACRO, que reúne o sul do Amazonas, o Acre e Rondônia, e tem sido apontada como o “novo arco do desmatamento”.
| Estado | Crescimento Anual (CAGR) | Situação |
| Pará | 22,74% | Maior crescimento do país |
| Acre | 20,28% | Segundo maior aumento |
| Rondônia | 17,35% | Terceiro maior aumento |
| Amazonas | 12,38% | Crescimento expressivo |
| Mato Grosso | 10,12% | Acima da média nacional |
| Média Brasil | 6,94% | — |
Fonte: IBAMA – PAMGIA / Revista Observatorio de la Economía Latinoamericana (2025)
O estudo alerta para os riscos ambientais e de saúde relacionados ao uso crescente de pesticidas.
A contaminação de solos, rios e lençóis freáticos, além da exposição de trabalhadores rurais, são apontadas como ameaças diretas à saúde pública.
“A dependência química da agricultura moderna ameaça a biodiversidade e a segurança alimentar. É urgente investir em políticas de incentivo à agroecologia e à educação ambiental”, afirmou Dra. Viviane Bacarin, coautora do trabalho.
Pesquisas citadas pelos autores relacionam a exposição prolongada a produtos como o glifosatoe o 2,4-D a problemas neurológicos, reprodutivos e hormonais, além de maior incidência de câncerem comunidades agrícolas.
Os autores defendem a adoção de políticas públicas mais rigorosas e sustentáveis. Entre as recomendações estão:
- Incentivar a agricultura familiar e orgânica;
- Fortalecer a fiscalização ambiental e sanitária;
- Investir em pesquisa e tecnologias agrícolas menos tóxicas;
- Promover campanhas de conscientização sobre os riscos dos agrotóxicos.
“A transição para uma agricultura sustentável é essencial para proteger a saúde das pessoas e o equilíbrio ambiental da Amazônia”, concluiu Dr. Andreimar Martins Soares, da Fiocruz Rondônia.
Rondônia registrou aumento expressivo no uso de herbicidas e fungicidas nos últimos anos.
DADOS EM DESTAQUE (2009–2023)
- Rondônia: +17,35% ao ano / de 1.654 t para 18.165 t
- Pará: +22,74% ao ano / de 515 t para 4.517 t
- Acre: +20,28% ao ano / de 100 t para 918 t
- Brasil: +6,94% ao ano
- Principais produtos: Glifosato, 2,4-D e Carbendazim
Os resultados confirmam uma tendência preocupante: a Amazônia vem se tornando o novo epicentro do consumo de agrotóxicos no Brasil.
Em Rondônia, a pressão pelo aumento da produtividade agrícola tem elevado os impactos ambientais e colocado em risco a saúde de milhares de pessoas. O estudo reforça a necessidade urgente de repensar o modelo de produção agrícola, apostando em sustentabilidade, inovação e responsabilidade ambiental.

