MENESTREL DO SAMBA É O HOMENAGEADO DO BLOCO PIRARUCU DO MADEIRA NO CARNAVAL 2026

MENESTREL DO SAMBA É O HOMENAGEADO DO BLOCO PIRARUCU DO MADEIRA NO CARNAVAL 2026

O manaura José Luiz Machado, carinhosamente chamado ‘Torrado, será homenageado pela primeira vez num bloco de rua no carnaval de Porto Velho, capital que o acolheu há 58 anos.

O dono de uma voz potente que emociona e transborda alegria, preencheu todos os espaços da cultura popular como menestrel do samba.

“Mais que justa é necessária a homenagem a Torrado, pois ele segue vigorosamente ativo cantando, compondo e sambando aos 77 anos. É um presente do bloco, do povo e da cidade pela sua contribuição à cultura”, disse Ernande Segismundo, presidente do bloco.

O compositor e parceiro de tantos sambistas será tema das músicas que exaltarão sua trajetória cultural.

O desfile está marcado para o dia oito de fevereiro, no Circuito da Pinheiro, com concentração a partir das 15 horas.

“O torrado é como uma samaúma pra cultura da capital, gigante e imponente. Ele precisa ver no carnaval de rua o seu tamanho, sua importância como sambista de alto nível e como símbolo de resistência cultural. Quando informamos que ele seria homenageado, ficou muito emocionado e agradecido”, completou Segismundo.

 

SINOPSE DO TEMA: UM FREVO TORRADO DE ALEGRIA

 

Por Altair Santos

Nascido aos quatorze dias do mês de setembro de 1948, em Manaus/AM (a capital baré) o manauara José Luiz Machado de Assis, fez-se, no debulhar da vida, por talento, vicissitudes e enfronhamento social o popularíssimo Torrado. Veio ao mundo justo num celebrado e festivo dia de São José, do qual, pelas vias dos registros cartoriais e bênçãos e respingados de bentas águas batismais, fora ungido, virou devoto inarredável, leva o nome e carrega as graças de devoto e protegido. 

Além da fervorosa fé no seu padroeiro e protetor, o folião e também boêmio e seresteiro fora tatuado e teve impregnado em si e no seu existir, a efígie e emblema natural de ser um cidadão que, desde mui cedo, orbitou entres os luminosos e aromáticos ares do esporte, mais precisamente o futebol, e da cultura popular, com destaque para a música na sua diversidade, dada a sua avantajada e sempre bem colocada e potente empostação e exercício vocal, coisa fácil pra ele.


Aos 19 anos idade veio morar em Porto Velho, mas voltou por duas ocasiões. Ele foi bancário das instituições Bansiasul, Banco Ipiranga (este depois BCN) e, mais tarde, após concurso público, ingressou nas fileiras do Tribunal Regional do Trabalho – TRT onde fez carreira e aposentou-se. Ainda quando na Ativa no TRT fora transferido por certo período para a cidade Guajará Mirim (a Pérola do Mamoré) e por lá fora acolhido e cercado de notável prestígio social e cultural e, entre amigos do futebol e da música, fez-se conhecido e selou amizades. 

Em se falando de música o Torrado fez a sua iniciação muito cedo como ritmista indo, por méritos, integrar a performática formação do super-requisitado Conjunto Samba 7 Show, que marcou época nos mais badalados e concorridos bailes de clube de Manaus. Inclusive, sobre bailes, shows e outras tantas, o Torrado acumulou aquilatado sucesso soltando a voz sob as luzes difusas e brandas da Boite Nostalgia, um afamado e requisitado ponto de encontro dos inarredáveis boêmios, filhos do sereno e outros notívagos irreparáveis e seresteiros manauaras. Isso se dera também noutras penumbras boêmias da cidade onde eram ouvidos perto e médio longe, os seus inconfundíveis madrigais.

Ainda em Manaus mostrou o seu talento e qualidades futebolísticas quando vestiu e honrou as sagradas camisas do São Raimundo (no campo da Colina), Rio Negro (o time Barriga Preta da Praça da Saudade) e o Nacional (Leão Azul do Amazonas). Nos gramados de Porto Velho, em algumas temporadas, vestiu as camisas do Ferroviário (o tricolor da madevia) e Moto Clube (o time alvirrubro do Bairro Olaria) no áureo tempo do esporte bretão cá, na então capital brasileira do minério e do estanho, aonde o cobiçado ouro do Rio Madeira também já reluzia fazendo bamburrar muita gente. 

Hoje ainda no futebol de Porto Velho, o folião mostra a sua classe se revezando em partidas, excursões e breves torneios que envolvem as equipes do Clube Grilão (Bairro da Lagoa), time Máster do Moto Clube e time Máster da Escola de Samba Asfaltão, o Tigre do Bairro Santa Bárbara. 

No carnaval de Manaus nas vezes e prestígio de consagrado sambista e requisitado intérprete, orbitou entre 1967 e 1970, pelos blocos Unidos do Boulevard Amazonas e Unidos da Selva, este último do Bairro São Jorge, cujo presidente à época fora o ex 1º Governador do Estado de Rondônia, Coronel Jorge Teixeira de Oliveira (o Teixeirão) quando o mesmo comandou o 17º BIS – Batalhão de Infantaria (Bairro São Jorge – Estrada da Ponta Negra). Por força da sua importância, comprometimento e popularidade fora eleito Cidadão Samba, em votação expressiva realizada entre as escolas de samba do velho Porto de Lenha (leia-se: Manaus). 

No grupo especial do carnaval de Manaus foi ativo e importante intérprete da campeoníssima Escola de Samba Vitoria Régia (da Praça 14 de Janeiro) e também emprestou o seu cantar para a agremiação Andanças de Ciganos (do Bairro Cachoeirinha).

Em Porto Velho, Torrado já somou no carnaval antigo dos blocos de rua como Curriola 40, Bloco dos Imigrantes e Armário Grande, neste acaso, antes dessa agremiação virar Escola de Samba. E em se falando de escolas de samba ele cá, em terras karipunas, ele desfilou pela Diplomatas do samba, Pobres do Caiarí e Unidos da Castanheira, essa última do Bairro Arigolândia, por quem foi campeão levando a cidade e própria escola a cantar, dançar e brincar sob o manto poético melódico do envolvente enredo/tema de sua autoria “Pra Amar Tem Gay…” um samba alegre, livre, inclusivo, envolvente, cultural e que até hoje faz grande sucesso em nossa cidade.

Torrado já recebeu a comenda de Menestrel do Samba pela Fundação Cultural de Porto Velho – FUNCULTURAL, porém nunca fora homenageado pelas ligas, federações e agremiações do segmento direto do carnaval local. Enquanto compositor o menestrel coleciona algo em torno de 60/70 composições de sua autoria constando de sambas, boleros, pagodes e outros ritmos.

Atualmente, sempre festivo e nutrido pela alegria de viver e pela sua inserção social nas rodas de futebol, samba, boemia e dominó, o mestre Torrado integra e compõe a cena da cultura local como um notável baluarte a frequentar com brilhantismo as rodas de samba do Bar do Calixto, Mesa de  Dominó no bar do Calça Frouxa, nas as animadas reuniões futebolísticas de amigos no Clube Grilão, dentre outros espaços onde sempre a cultura popular e o esporte formam as pautas que o animam estar e sempre promover os enlaces sociais.

Isto posto, pelas vias desse tema o Bloco Pirarucu do Madeira, no exercício da sua compromissada pauta de registro, valorização e conduta social e cultural, chama os clarins pra soarem alto e melodiosos aos ouvidos e ânimo do povo, trazendo o Mestre Torrado pra dizer e no gogó e responder no pé, enquanto abençoado e devotado cidadão, signatário da alegria de viver, folião do carnaval e homem de fé, sob as bênçãos do seu padroeiro, São José para exibir e esparramar a sua alegria e lume cultural, no carnaval de 2026.

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