
A propositura foi do vereador Aleks Palitot que se destaca com um gesto que simboliza voz no parlamento em defesa dos povos tradicionais. Leia Mais

A propositura foi do vereador Aleks Palitot que se destaca com um gesto que simboliza voz no parlamento em defesa dos povos tradicionais. Leia Mais

É preciso falar sobre política nesses tempos de individualismo exacerbado, pós-verdade, paralisia decisória frente aos grandes problemas políticos nacionais.
ROBSON SÁVIO REIS SOUZA
No 247
Voltemos à Grécia antiga. Há 2500 anos, os gregos “inventaram” a democracia. Em Atenas, por exemplo, a vida pública interessava a todos os cidadãos e os politikos eram aqueles que se dedicavam ao governo da polis(a cidade), colocando o bem comum acima de seus interesses individuais.
Os gregos entendiam que o idiota era a pessoa que não estava integrada na polis; aquele que não se interessava ou não participava dos assuntos públicos (de grande importância naquela época) e só se ocupava de si próprio. Desta concepção vem a raiz da palavra idiota, o termo “idio”, que significa próprio.
Ou seja, o idiota é aquele que só vive a sua vidinha privada, que só pensa no seu umbigo, nos seus interesses; que recusa a política; que diz não à política. Sua expressão generalizada é: “não me meto em política”. Ou, nos termos das últimas campanhas eleitorais no Brasil, “chega de política”.
Ao contrário do idiota, o “político” era o cidadão que se envolvia com os assuntos públicos, ou seja, possuía os atributos para construir para si um estatuto de cidadania (participação na vida pública). Este estatuto exigia de cada polites um envolvimento direto na condução coletiva dos assuntos da cidade. O político era aquele cujos interesses estavam expressos em ações com vistas à coletividade, igualdade, participação e democracia.
Para os antigos gregos, portanto, não havia liberdade fora da política. Ou seja, o idiota – que é um ensimesmado e não se preocupa com o bem comum, colocando-se como o centro do universo -, não é livre porque só é livre aquele que se envolve na vida pública, na vida coletiva.
Esse modo de envolvimento coletivo nos assuntos públicos transformou Atenas numa cidade próspera. Seu porto era cosmopolita, possibilitando o encontro e o embate com outros povos, assim como a discussão de problemas relativos à cidade. Isso possibilitava mais autonomia ao cidadão, que era livre para discutir, decidir, se posicionar. Tratava-se de uma cidadania ativa e participativa, à medida que o cidadão era ativo dos assuntos e das decisões coletivas, a beneficiar toda a comunidade política.
Voltemos ao Brasil. Nesse momento político no qual o individualismo nos lança na indiferença, na violência contra o outro ou na desresponsabilização em relação ao exercício da cidadania é preciso lembrar dos antigos gregos.
O que está acontecendo por aqui tem a ver com nossas ações e omissões enquanto cidadãos; enquanto políticos.
Não podemos nos amesquinhar frente a esse totalitarismo da indiferença (Josep Romaneda). Não podemos nos afastar da noção de bem comum e do princípio da res publica (coisa pública; de responsabilidade de todos).
A criminalização da política pela mídia (sempre interessada em afastar os cidadãos da vida pública) está a fabricar cada vez mais idiotas, que são aqueles que se afastam da política e se gabam dessa postura infantil e descomprometida com os rumos da vida pública. São também conhecidos como “midiotas”.
Vejamos o que ocorre nesses dias: a indecisão das elites na escolha do substituto de Temer, por exemplo, comprova cabalmente que não há políticos ocupando os cargos de poder. O que temos no governo e no Congresso são “profissionais da política”, serviçais do dinheiro, e idiotas, que só se preocupam com os interesses próprios e não cuidam do bem-comum.
Os golpistas não encontram dentre seus quadros nenhum político de fato, ou seja, nenhuma pessoa comprometida com o bem-comum, empenhada de fato com os interesses públicos, para ser apresentada à sociedade nesse momento de crise institucional, a gerar legitimidade para um futuro governo.
Aliás, os golpistas só se preocupam com os interesses privados. Afinal, o foco atual do poder (mundial, diga-se de passagem) não está na política, mas na economia e quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial internacional. Neste sentido, os donos do poder não são os políticos. Leia mais sobre isso, aqui.
Temer, um fantoche nas mãos dos donos do poder, só continua na chefia do governo, como um zumbi, porque a coalizão que o sustenta, formada por idiotas e não por políticos, não tem consenso acerca de um nome para apresentar à sociedade.
Por outro lado, há omissão, medo, covardia e divisão dos setores progressistas comprometidos com a cidadania em torno de um nome e de um programa (de governo) que possam ser apresentados à sociedade como contraponto ao grupo que usurpa o poder. Isso também é sinal de idiotice!
Abundam idiotas. Há poucos políticos.
Para superarmos a crise política que vivemos precisamos de mais políticos e menos idiotas, tanto no exercício do poder, quanto nas várias instâncias de mobilização, articulação a ação política da nossa sociedade.

Milhares de pessoas se encontram em Copacabana para pedir #DiretasJá chega de golpe! Teve shows de Caetano Veloso, Mano Brown, Mart’nália, Criolo e outros. Leia Mais

Foi surpreendente saber que o senador afastado, Aécio Neves, guardava provas robustas que podem demonstrar seu envolvimento em vários crimes.
No tribunal virtual fala-se em amadorismo e confiança na impunidade. Leia Mais

Se dizia que não havia mais divisão entre direita e esquerda, que estava superada, que um dos problemas do Brasil seria o Fla x Flu entre PT e PSDB.
Emir Sader
No 247
De repente a direita assalta o poder, destrói o que de melhor havia sido construído no pais neste século, incluída a própria democracia. E a esquerda volta para as ruas, defendendo o povo, a democracia e o Brasil. Nunca como agora a polarização entre direita e esquerda foi tão atual e tão acentuada. Inclusive com o papel do PSDB no governo golpista e do PT na oposição democrática.
A ideia da superação entre direita e esquerda surgiu com o fim da URSS e do então chamado campo socialista, quando se passou a pregar o fim das ideologias, o fim do Estado, o fim dos partidos, o fim da politica e até o fim da História. Era o necrológio com que a direita pretendia sepultar definitivamente a esquerda.
Mas o que veio depois foi na direção oposta. O fim da História trouxe mais guerras e profunda recessões econômicas. A resistência à hegemonia norteamericana no mundo produziu cada vez mais resistência. Surgiram governos antineoliberais, de esquerda. Países começaram a construir, pelos Brics, uma alternativa ao mundo construído à imagem e semelhança dos EUA.
Não somente a História não acabou, como aprofundou suas contradições, que reafirmou sem papel de motor da História. Divididos pelo neoliberalismo e pelas guerras, direita e esquerda voltaram a alinhar-se de forma cada vez mais aberta. Se forças como a social democracia se alinhou com a direita, surgiu uma nova esquerda, antineoliberal e pacifista.
No Brasil, o golpe reagrupou a direita, em todos os seus segmentos – parlamentar, midiático, empresarial – e, por meio do golpe, reafirmou que seu programa e’ a restauração do neoliberalismo, com todas as suas consequências antissociais, antipopulares, antidemocráticas e antinacionais. Eram esses os que diziam que nao havia mais divisão entre direita e esquerda, mas assumiram frontalmente o programa histórico da direita e golpearam centralmente as realizações do governo de esquerda.
Havia gente, alguns no campo popular, que se somavam a essa cantilena. A oposição PT/PSDB refletiu sempre, desde que os tucanos, com o FHC, assumiram o modelo neoliberal, a oposição entre direita e esquerda nos tempos atuais, a oposição entre o neoliberalismo e o antineoliberalismo.
Marina procurou, de forma oportunista, para nao se alinhar nessa polarização, pregar uma “terceira via”, de que ela seria a representante. Não somente ela nunca conseguiu propor um programa alternativo, como no segundo turno se somou ao Aécio, revelando, ela mesma, como haveria que se definir entre o PT e o PSDB e ela se definiu por este.
Outras forças insistem na necessidade da superação da polarização entre esses dois partidos, como se ela dificultasse o enfoque do reais dos problemas do país. Quando, ao contrário, ela reflete, no campo da política e dos partidos, a polarização a favor e contra o neoliberalismo – a polarização fundamental do período histórico atual, no plano nacional e internacional.
A direita promove um programa desastroso no governo e a esquerda se reagrupou na resistência ao governo golpista e neoliberal, unindo movimentos sociais, partidos, personalidades, forças culturais, todos juntos na oposição. Não há divisões significativas na esquerda, apenas nuances de diferença em alguns temas. Lula e o PT são parte essencial desse caudal de forças, como segmento fundamental da esquerda brasileira.
O golpe favorece a tomada de consciência de amplos setores da população em relação a quem representa o que, ao que a direita tem a propor ao país e o que a esquerda representa. A direita deu o golpe, quer novas eleições indiretas, a manutenção do pacote neoliberal do Meirelles. A esquerda luta por eleições diretas, pela retomada do modelo de desenvolvimento com distribuição de renda, pelo resgate da politica externa de soberania.
Nos momentos mais agudos da História, direita e esquerda reafirmam o seu perfil e de enfrentam diretamente, como nestes tempos no Brasil.

Estadão
Um trecho da areia da Praia de Copacabana amanheceu neste sábado, 27, com máscaras pintadas de vermelho para pedir a renúncia do presidente Michel Temer e a reforma política. O protesto foi realizado pela ONG Rio de Paz, em frente à Avenida Princesa Isabel. Leia Mais

Minas 247 – Complica-se a situação do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), que liderou o golpe parlamentar de 2016 e é o principal responsável pela crise política e econômica atravessada pelo Brasil. Leia Mais

Do G1:
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para que sejam interrogados o presidente da República, Michel Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), bem como outros citados na delação da JBS. Leia Mais