Trump mergulha na pior crise de desaprovação e vê governo se isolar frente à opinião pública

Trump mergulha na pior crise de desaprovação e vê governo se isolar frente à opinião pública

Mandato recheado de absurdos, acusações e promessas de vitórias por meio de intimidações caiu em desgraça com eleitores norte-americanos

Revista Fórum, por Henrique Rodrigues – governo de Donald Trump atravessa seu momento mais dramático desde a posse em 2025. Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos, finalizada nesta segunda-feira (20), revela que a aprovação do republicano estancou em pífios 36%, o nível mais baixo de seu mandato. O isolamento do presidente é o resultado direto de uma gestão marcada por agressividade diplomática, uma guerra impopular no Irã e ataques inéditos a figuras globais, como o Papa Leão.
O contraste com o início do governo é brutal: logo após assumir o cargo, em janeiro do ano passado, Trump ostentava 47% de apoio. Hoje, o cenário é de terra arrasada. O levantamento, realizado com 4.557 adultos, mostra que a confiança no temperamento e na sanidade do presidente de 79 anos está em queda livre, inclusive entre seus próprios aliados.

Insegurança mental e temperamento explosivo

Um dos dados mais alarmantes da pesquisa toca na capacidade cognitiva do mandatário. Cerca de 51% dos americanos acreditam que a lucidez mental de Trump “piorou” no último ano. Esse ceticismo atravessa linhas partidárias: 14% dos republicanos e 54% dos independentes compartilham dessa preocupação.

A percepção de que o presidente é alguém “equilibrado” é defendida por apenas 26% da população. Até mesmo dentro do Partido Republicano a divisão é clara: quase metade da base (46%) já admite que o líder da nação não possui o equilíbrio necessário para o cargo, após uma série de explosões verbais e postagens erráticas em redes sociais.

A guerra no bolso e o ataque ao sagrado

A aventura militar contra o Irã e Israel, iniciada em fevereiro, provou ser o estopim da crise econômica. A alta drástica nos preços da gasolina atingiu em cheio o orçamento das famílias, fazendo com que a aprovação de Trump na gestão do custo de vida despencasse para 26%. Apenas um quarto dos americanos acredita que a ofensiva no Oriente Médio valeu o custo financeiro ou tornou o país mais seguro.

Não satisfeito com o front militar, Trump abriu uma frente de batalha contra o Vaticano. Ao atacar o Papa Leão como “fraco contra o crime” — uma represália às críticas do pontífice à guerra, o presidente desafiou uma figura muito mais popular que ele próprio. Enquanto 60% dos americanos têm uma visão favorável do Papa, Trump patina nos seus 36%.

Ameaças de aniquilação e isolamento internacional

O repertório de “absurdos” de Trump nas últimas semanas inclui ameaças profanas de destruir pontes e usinas elétricas iranianas, além de promessas de “aniquilar a civilização” daquele país. No campo diplomático, o presidente conseguiu alarmar a OTAN ao sugerir o uso de força militar contra a Dinamarca, caso o país aliado não aceite a anexação da Groenlândia pelos EUA.

Com um cessar-fogo frágil prestes a expirar nesta terça-feira e a ameaça de saída da OTAN ainda pairando no ar (apoiada por apenas 16% da população), o governo Trump parece governar de costas para a realidade das ruas. O “alecrim dourado” da política americana agora enfrenta o julgamento de uma opinião pública que, cansada de intimidações e preços altos, começa a lhe dar as costas definitivamente.

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