
Mandato recheado de absurdos, acusações e promessas de vitórias por meio de intimidações caiu em desgraça com eleitores norte-americanos
Insegurança mental e temperamento explosivo
Um dos dados mais alarmantes da pesquisa toca na capacidade cognitiva do mandatário. Cerca de 51% dos americanos acreditam que a lucidez mental de Trump “piorou” no último ano. Esse ceticismo atravessa linhas partidárias: 14% dos republicanos e 54% dos independentes compartilham dessa preocupação.
A percepção de que o presidente é alguém “equilibrado” é defendida por apenas 26% da população. Até mesmo dentro do Partido Republicano a divisão é clara: quase metade da base (46%) já admite que o líder da nação não possui o equilíbrio necessário para o cargo, após uma série de explosões verbais e postagens erráticas em redes sociais.
A guerra no bolso e o ataque ao sagrado
A aventura militar contra o Irã e Israel, iniciada em fevereiro, provou ser o estopim da crise econômica. A alta drástica nos preços da gasolina atingiu em cheio o orçamento das famílias, fazendo com que a aprovação de Trump na gestão do custo de vida despencasse para 26%. Apenas um quarto dos americanos acredita que a ofensiva no Oriente Médio valeu o custo financeiro ou tornou o país mais seguro.
Não satisfeito com o front militar, Trump abriu uma frente de batalha contra o Vaticano. Ao atacar o Papa Leão como “fraco contra o crime” — uma represália às críticas do pontífice à guerra, o presidente desafiou uma figura muito mais popular que ele próprio. Enquanto 60% dos americanos têm uma visão favorável do Papa, Trump patina nos seus 36%.
Ameaças de aniquilação e isolamento internacional
O repertório de “absurdos” de Trump nas últimas semanas inclui ameaças profanas de destruir pontes e usinas elétricas iranianas, além de promessas de “aniquilar a civilização” daquele país. No campo diplomático, o presidente conseguiu alarmar a OTAN ao sugerir o uso de força militar contra a Dinamarca, caso o país aliado não aceite a anexação da Groenlândia pelos EUA.
Com um cessar-fogo frágil prestes a expirar nesta terça-feira e a ameaça de saída da OTAN ainda pairando no ar (apoiada por apenas 16% da população), o governo Trump parece governar de costas para a realidade das ruas. O “alecrim dourado” da política americana agora enfrenta o julgamento de uma opinião pública que, cansada de intimidações e preços altos, começa a lhe dar as costas definitivamente.
