
Presidente defende Petrobras forte, anuncia R$ 37 bilhões em investimentos em SP e diz que estatal deve liderar energia no Brasil
Em sua fala, Lula afirmou que a Petrobras voltou a ocupar papel central na política econômica e energética do país. O presidente disse que a empresa deve ser tratada como patrimônio público e lembrou disputas históricas em torno da criação e da preservação da estatal.
“Tem que ter lembrado que as pessoas não queriam que fosse criada a Petrobras. Foi uma guerra para criar Petrobras em 1953. Foi o povo que foi para a rua com a campanha do Petróleo é Nosso que garantiu Getúlio Vargas a criar Petrobras”, afirmou.
Lula também resgatou tentativas anteriores de enfraquecimento da empresa e afirmou que a privatização de ativos ocorreu de forma gradual. Segundo ele, a venda da BR Distribuidora integrou uma estratégia de redução do alcance da Petrobras. “Eu fico pensando, o que é que o Brasil ganhou com a privatização da BR [Distribuidora]?”, indagou o presidente.
Na sequência, Lula afirmou que a venda de ativos da Petrobras foi feita em partes, comparando o processo a uma retirada gradual de pedaços da companhia. “A BR foi privatizada porque os sonhos que ele tinha de privada Petrobras seriam altamente recusados pelo povo. Eles então resolveram ir vendendo os pedaços”, declarou.
O presidente também citou a Liquigás, vendida após ter sido adquirida em seu primeiro mandato, segundo ele, para ampliar a capacidade do governo de atuar sobre o preço do gás de cozinha. “Então, eu tinha comprado a Liquigás. No meu primeiro mandato, eu comprei a Liquigás para que a gente tivesse o mínimo de controle no preço do gás de cozinha. O que eles fizeram? Venderam a Liquigás. O que o povo ganhou com isso? Nada. Nada”, afirmou.
Lula defendeu que a Petrobras tenha capacidade de atuar em toda a cadeia energética, do petróleo aos biocombustíveis, e disse que a empresa precisa ser motivo de orgulho nacional. “A Petrobras tem que ser vista como um patrimônio. É um patrimônio do povo brasileiro. Ela é o exemplo para o povo brasileiro. É a melhor empresa brasileira. É a mais rentável empresa brasileira”, disse.
O presidente também relacionou o fortalecimento da Petrobras à soberania nacional. Para ele, a empresa deve ampliar sua presença no refino, na prospecção, nos combustíveis e na produção de energia. “Fortalecer a Petrobras é uma coisa muito importante”, afirmou. “A coisa que nós precisamos fazer é fazer a Petrobras se valorizar. É fazer a Petrobras voltar a ser motivo de orgulho.”
Lula citou ainda a indústria naval brasileira, que, segundo ele, foi recuperada a partir de decisões políticas tomadas em seus governos anteriores. O presidente afirmou que a Petrobras teve papel decisivo nesse processo ao estimular a construção de navios no Brasil.
“Foi graças a isso que nós conseguimos recuperar a indústria naval brasileira, que na década de 50 era a segunda do mundo. E que em 2002 estava quase desaparecida”, declarou. “Tudo depende da vontade de decisão política de quem governa o país.”
Ao comentar o cenário internacional, Lula disse que a Petrobras deve ampliar sua atuação fora do Brasil. Ele citou conversa com a presidente do México, que, segundo ele, pediu cooperação da estatal brasileira para prospecção em águas profundas no Golfo do México.
“Outro dia a presidenta do México me ligou. Presidente Lula, eu queria conversar com a Petrobras porque nós precisamos fazer prospecção nas águas profundas do Golfo do México e a Pemex não consegue fazer prospecção em águas profundas”, relatou.
Lula afirmou que a Petrobras tem competência técnica para atuar em águas profundas tanto na América do Sul quanto na África. “Quem é que tem competência de fazer prospecção em águas profundas do lado da América do Sul e do lado da África? A Petrobras. E a gente vai atrás, a gente vai atrás, porque a gente não quer ser pequeno”, disse.
O presidente também defendeu a exploração da Margem Equatorial, afirmando que o governo atuará com responsabilidade ambiental. “Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que nós. Ninguém tem mais cuidado. Agora a gente vai fazer com a maior responsabilidade do mundo”, afirmou.
Segundo Lula, o Brasil não deve abrir mão de suas riquezas naturais. “A gente não pode deixar uma riqueza que está a quase 500 metros de distância da nossa margem”, declarou.
Na parte final do discurso, Lula afirmou que a Petrobras deve ir além do petróleo e se consolidar como uma grande empresa de energia. O presidente citou visita ao laboratório Sirius, em Campinas, e disse que a estrutura poderá contribuir com pesquisas úteis à estatal.
Lula encerrou a fala em tom de defesa da estatal e de apoio à gestão de Magda Chambriard. “Enquanto a gente for vivo, ninguém pode imaginar se desfazer dessa Petrobras. Essa Petrobras é uma empresa que causa inveja a muita gente. E a gente tem que ter orgulho do que a gente é e do que a gente pode fazer ainda”, disse.
