Quatro especialistas, uma mensagem: China e EUA devem deixar de lado as diferenças para combater as drogas

Quatro especialistas, uma mensagem: China e EUA devem deixar de lado as diferenças para combater as drogas

Por CGTN – À medida que as drogas sintéticas continuam a representar uma ameaça crescente à saúde pública em todo o mundo, em um documentário produzido pela CGTN, “Guerra ao Fentanil: Registro da Cooperação China-EUA”, especialistas da China e dos Estados Unidos defendem uma maior cooperação internacional no combate ao abuso e ao tráfico de drogas. Apesar das diferenças nos sistemas políticos e nos interesses nacionais, eles argumentam que a crise das drogas é um desafio compartilhado que exige uma resposta conjunta.

O problema global das drogas não pode ser resolvido por nenhum país agindo isoladamente. De acordo com Zhou Wenhua, pesquisador do Hospital Kangning da Universidade de Ningbo e vice-presidente da Associação Chinesa de Prevenção e Tratamento do Abuso de Drogas, a escala e a complexidade do abuso de drogas hoje tornam a cooperação internacional indispensável.

Zhou observou que quase 300 milhões de pessoas em todo o mundo abusam de substâncias psicoativas, enquanto o conhecimento científico sobre o vício ainda é limitado. Em sua opinião, uma cooperação mais profunda entre os países não só fortaleceria os esforços para combater o abuso de drogas, mas também impulsionaria a pesquisa sobre substâncias psicoativas e o próprio cérebro humano. Ao compartilhar conhecimento e recursos, a comunidade internacional pode desenvolver abordagens mais eficazes para a prevenção, o tratamento e a reabilitação.

Especialistas também acreditam que a China e os Estados Unidos possuem pontos fortes complementares que poderiam contribuir significativamente para a governança global das drogas.

Shen Haowei, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Ningbo e coordenador do seu Programa de Mestrado Profissional em Farmácia, destacou que a China estabeleceu um sistema baseado em evidências para avaliar os danos relacionados às drogas. Os Estados Unidos, por sua vez, acumularam extensos dados epidemiológicos, bem como valiosa experiência em monitoramento de rua e práticas de aplicação da lei.

Segundo Shen, uma cooperação mais estreita entre os dois países poderia ajudar a tornar suas respectivas legislações de controle de drogas mais científicas e baseadas em evidências. Mais importante ainda, essa colaboração poderia contribuir para o desenvolvimento de padrões internacionalmente reconhecidos para a regulamentação de substâncias psicoativas emergentes, fornecendo uma estrutura mais sólida para o controle global de drogas.

Embora as incertezas políticas e diplomáticas frequentemente compliquem as relações bilaterais, alguns especialistas argumentam que esses desafios não devem impedir a cooperação em questões que afetam o bem-estar público.

Liu Yu, diretora executiva e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Ningbo, enfatizou que as ameaças relacionadas às drogas são desafios compartilhados. Ela argumentou que os países devem estar dispostos a deixar de lado certos fatores desestabilizadores e continuar trabalhando juntos, mesmo quando persistirem divergências. Em sua visão, a cooperação não deve ser refém de tensões geopolíticas mais amplas quando interesses comuns estão em jogo.

Esse sentimento é compartilhado por especialistas nos Estados Unidos.

David, ex-investigador de desvio de drogas da Agência Antidrogas dos EUA (DEA), ressaltou que as drogas não discriminam com base em política, ideologia ou nacionalidade. Os danos que causam ultrapassam fronteiras e afetam comunidades independentemente de diferenças políticas.

Por essa razão, argumentou ele, a cooperação entre a China e os Estados Unidos deve ser vista como algo mais do que uma questão diplomática. Em sua essência, trata-se de um esforço conjunto para proteger as futuras gerações das consequências devastadoras do abuso de drogas.

Embora venham de diferentes países e tenham formações profissionais distintas, os quatro especialistas transmitem uma mensagem comum: as drogas são um inimigo comum. A pesquisa científica, a inovação legislativa, as medidas de saúde pública e a cooperação policial exigem colaboração internacional. Na luta contra o abuso e o tráfico de drogas, acreditam que a China e os Estados Unidos têm uma oportunidade — e uma responsabilidade — de trabalharem juntos em benefício das gerações futuras.

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