
Autoridades de toda a Europa meridional e ocidental emitiram alertas de calor que afetam milhões de pessoas. A França colocou 49 departamentos em alerta vermelho, enquanto a Itália emitiu alertas de nível máximo para várias grandes cidades. As temperaturas em partes de Portugal, da Espanha e da Itália ultrapassaram os 40 graus Celsius, com a Alemanha e a Bélgica se aproximando de recordes históricos para o mês de junho.
Madri, 22 jun (Xinhua) — Uma onda de calor intensa e incomumente precoce assolou grande parte da Europa, elevando as temperaturas para níveis próximos ou superiores a 40 graus Celsius, da Península Ibérica aos Bálcãs. O calor extremo está atrapalhando o cotidiano, aumentando o risco de incêndios florestais e gerando alertas de que o calor extremo está se tornando uma característica do clima do continente.
Autoridades de toda a Europa meridional e ocidental emitiram alertas de calor que afetam milhões de pessoas. A França colocou 49 departamentos em alerta vermelho, enquanto a Itália emitiu alertas de nível máximo para várias grandes cidades. As temperaturas em partes de Portugal, da Espanha e da Itália ultrapassaram os 40 graus Celsius, com a Alemanha e a Bélgica se aproximando de recordes históricos para o mês de junho.
DOMO DE CALOR PROVOCA CONDIÇÕES EXTREMAS
Meteorologistas atribuem a onda de calor a um poderoso “domo de calor” que se estende pela Europa Ocidental e Central. O sistema aprisionou ar quente vindo do Norte da África, impedindo que sistemas meteorológicos mais frescos do Atlântico trouxessem alívio.
“Esse fenômeno funciona como uma tampa de panela: aprisiona o ar aquecido e o comprime em direção ao solo”, disse David Dehenauw, meteorologista do Instituto Real de Meteorologia da Bélgica. “Nunca fez tanto calor, por tanto tempo e tão cedo no ano”, acrescentou ele.
O Centro Conjunto de Pesquisa da Comissão Europeia previu anomalias de temperatura bem acima das médias sazonais em toda a Europa Ocidental e Central para a próxima semana, com os desvios mais acentuados ocorrendo na França e na Península Ibérica.
Na Bélgica, temperaturas próximas a 35 graus Celsius ameaçavam recordes que remontavam a 1976. O sudoeste da Alemanha se preparava para temperaturas próximas a 39 graus Celsius, perto dos recordes regionais para o mês de junho.
O Instituto do Mar e da Atmosfera de Portugal previu máximas de até 42 graus Celsius em áreas do interior, à medida que uma massa de ar quente do Norte da África se combinava com um sistema persistente de alta pressão sobre a Península Ibérica.

O Ministério da Saúde da Itália colocou oito grandes cidades, incluindo Roma, Milão, Florença e Bolonha, sob o nível máximo de alerta vermelho, indicando riscos à saúde para toda a população.
A Romênia emitiu alertas amarelos de calor em 20 condados, enquanto a agência meteorológica da Bulgária registrou temperaturas máximas entre 29 e 34 graus Celsius em todo o país.
IMPACTOS SE ESPALHAM PELA EUROPA
A onda de calor causou transtornos nos transportes, na educação e nas atividades públicas em todo o continente.
Na Espanha, incêndios florestais ao longo do corredor Madri-Barcelona afetaram os serviços de trens de alta velocidade, causando atrasos de mais de duas horas. As autoridades de Madri também cancelaram uma exibição pública planejada da partida da Copa do Mundo de Clubes da FIFA envolvendo Espanha e Arábia Saudita, citando preocupações com a saúde.

Na França, 845 escolas receberam ordem de fechamento, enquanto outras 1.800 ajustaram seus horários para evitar os períodos mais quentes do dia. A operadora ferroviária nacional, SNCF, alertou que as altas temperaturas estavam sobrecarregando a infraestrutura ferroviária. Dois menores foram encontrados mortos em um carro da família na segunda-feira, a previsão era de que as temperaturas na região atingissem uma máxima de 39 graus Celsius.
Na Alemanha, um raio atingiu um acampamento de barracas durante um festival de handebol, ferindo nove pessoas. As altas temperaturas também danificaram parte da rodovia A1, ao norte de Hamburgo, causando grandes transtornos ao tráfego.
Na Itália, as autoridades de saúde alertaram para um número crescente de “noites tropicais”, com temperaturas permanecendo acima de 25 graus Celsius após o anoitecer. Autoridades intensificaram o monitoramento de hospitais, casas de repouso e moradores vulneráveis à medida que as temperaturas ultrapassavam 40 graus Celsius em partes da Sardenha.
O calor prolongado também aumentou o risco de incêndios florestais em todo o sul da Europa.
Agências de proteção civil da Sicília e da Sardenha emitiram alertas de incêndio; enquanto isso, na Bósnia e Herzegovina, bombeiros combateram um incêndio de rápida propagação perto de Mostar no fim de semana, após as chamas avançarem por áreas de pastagem seca e vegetação rasteira, ameaçando localidades próximas.
Segundo dados da União Europeia, 899 incêndios florestais registrados consumiram mais de 105.000 hectares em todo o bloco desde janeiro, um número quase 50% acima da média dos últimos 20 anos. O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais previu condições meteorológicas propícias a incêndios extremos em partes da França, da Espanha e de Portugal para os próximos dias.
CIENTISTAS ALERTAM PARA UMA MUDANÇA DE LONGO PRAZO
Cientistas dizem que a atual onda de calor não é um evento isolado, mas parte de uma tendência de aquecimento de longo prazo, impulsionada por décadas de aumento nas emissões de gases de efeito estufa.
A climatologista alemã, Friederike Otto, disse que a continuidade das emissões de gases de efeito estufa está aumentando a probabilidade de ondas de calor mais frequentes e intensas, além de outras formas de eventos climáticos extremos. “O ano de 2026 certamente será um dos anos mais quentes já registrados”, disse ela.

Na Itália, o meteorologista Lorenzo Tedici observou que algumas regiões estão registrando anomalias de cerca de 10 graus Celsius acima das médias climáticas, que já são elevadas, destacando a velocidade com que o clima da Europa está mudando.
Os efeitos também estão cada vez mais visíveis nos mares ao redor. Especialistas em meio ambiente na Grécia alertaram que as temperaturas da superfície do Mar Mediterrâneo variam agora entre 25 e 30 graus Celsius, vários graus acima das médias de longo prazo, contribuindo para o estresse ambiental.
Temperaturas do mar incomumente altas foram associadas a uma grande proliferação de algas perto de Tessalônica, na Grécia, ressaltando as preocupações com as ondas de calor marinhas e seu impacto nos ecossistemas costeiros. “O mar não está apenas quente”, disse Yannis Katsoyiannis, especialista em tecnologia ambiental na Grécia. “Ele está permanecendo quente”.
Ele alertou que as “ondas de calor marinhas” estão se intensificando globalmente e que temperaturas elevadas e prolongadas do mar podem causar danos duradouros aos ecossistemas marinhos e à biodiversidade, com a criação local de mexilhões já apresentando sinais de estresse.
O impacto do calor prolongado está sendo sentido cada vez mais além das áreas de saúde pública e serviços de emergência.
A seguradora de crédito comercial Allianz Trade alertou que, se os padrões de ondas de calor persistirem, o calor extremo poderá custar à Alemanha até 131 bilhões de dólares americanos até 2030, reduzindo a produção econômica em até 3%. Para a Grécia, a empresa projetou perdas de até 15,1 bilhões de dólares, com uma queda de até 4,1% na produção econômica, uma redução de 8% nos investimentos e um aumento de 1 ponto percentual na taxa de desemprego.
A Allianz Trade descreveu as ondas de calor não mais como um fenômeno meteorológico de curto prazo, mas como um choque econômico estrutural.
Tanto para cientistas do clima quanto para formuladores de políticas, a onda de calor serve como mais um lembrete de que a Europa está entrando em uma era na qual eventos de calor extremo estão se tornando mais frequentes, mais duradouros e mais disruptivos.
