
Beijing, 25 mai (Xinhua) — O ano de 2026 vem sendo marcado pelo aprofundamento das relações entre o Brasil e a China no âmbito universitário.
Xingua News – Em fevereiro, foi lançado o Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, que enviou estudantes de pós-graduação e professores para o exterior. Posteriormente, em abril, foi assinada uma importante parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong (HUST), na Província de Hubei, na China, para cooperação científica em diversas áreas.
Líderes do ensino superior afirmaram que esse crescimento é resultado da intensificação das relações internacionais no Sul Global e do forte desempenho do Instituto Confúcio no país.
Segundo Aziz Tuffi Saliba, diretor de relações internacionais da UFMG, a iniciativa de sediar um Instituto Confúcio foi fundamental para atrair a HUST. Agora, o Instituto Confúcio ajuda a aprofundar os laços e a ampliar a cooperação em pesquisa, levando a expertise da UFMG à instituição chinesa.
“Dado o papel e o peso internacional da China, nossa colaboração ainda precisa crescer muito para que a proporção da cooperação acadêmica corresponda à importância política e econômica da China”, disse Saliba.
Ricardo Trindade, professor e coordenador do Centro USP-China da Universidade de São Paulo, disse que a instituição criou o centro para trabalhar exclusivamente nas relações entre os dois países em 2025 e, desde então, 76 acordos foram assinados entre a USP e organizações chinesas.
“Houve um salto qualitativo em nosso relacionamento com instituições chinesas ao incorporarmos algumas das principais universidades da China, bem como instituições estratégicas para os interesses comuns de ambos os países”, disse Trindade. “Destacam-se, nesse contexto, as parcerias com a Academia Chinesa de Ciências, bem como com universidades com forte foco aplicado.”
Segundo Trindade, esses acordos se concentram nas áreas de engenharia, ciências exatas e tecnologia, refletindo o modelo chinês de forte integração entre universidades, indústria e governo.
A Universidade Estadual de Campinas, ou Unicamp, ampliou sua parceria com o Instituto Confúcio, publicando recentemente livros bilíngues entre a China e o Brasil. A iniciativa começou com a tradução da coletânea de contos do escritor chinês Lu Xun, Flores Matinais Colhidas ao Entardecer, do chinês para o português, e do livro O Alienista, do autor brasileiro Machado de Assis, do português para o chinês.
“Como dois países do Sul Global que sempre estiveram intimamente ligados à ciência e à tecnologia ocidentais, é muito importante fortalecer os laços entre países que enfrentam desafios semelhantes e podem reorientar seus sistemas de ciência e tecnologia para enfrentar esses desafios”, disse Celio Hiratuka, diretor do Centro Interdisciplinar de Estudos Brasil-China da Unicamp.
Cui Guangying, diretora chinesa do Instituto Confúcio da UFMG, afirmou que a característica distintiva da instituição é que ela visa não apenas ensinar o idioma, mas também servir como uma ponte intelectual.
Atualmente, existem Institutos Confúcio e instituições semelhantes em mais de 10 universidades brasileiras, segundo o governo federal, localizadas em todas as regiões do país.
“O diálogo entre o Instituto Confúcio e as universidades pode ser descrito como uma parceria simbiótica”, disse Cui. “De um lado, temos a difusão da cultura chinesa e sua adaptação ao contexto local. Do outro, a perspectiva crítica e o profundo conhecimento da academia brasileira, que ajudam a redefinir o estudo da China.”
Cui afirmou que o Brasil possui recursos naturais únicos, biodiversidade e expertise em tecnologia agrícola que complementam fortemente as prioridades científicas da China em áreas como novas fontes de energia, mudanças climáticas e segurança alimentar.
O Ministério da Educação do Brasil declarou em comunicado que “a parceria entre a UFMG e a Universidade Huazhong, duas instituições de referência, abre novas possibilidades acadêmicas e profissionais para chineses e brasileiros” e que “os Institutos Confúcio desempenham um papel importante no ensino da língua e da cultura chinesas aos estudantes das universidades brasileiras”.
