Estudo associa uso excessivo de celular a transtornos como insônia e ansiedade em pessoas com mais de 60 anos

Estudo associa uso excessivo de celular a transtornos como insônia e ansiedade em pessoas com mais de 60 anos

Pesquisadores do mundo todo vêm estudando o uso excessivo de telas em idosos. A UFMG publicou artigo analisando os 20 trabalhos mais relevantes e identificou que entre os mais velhos a nomofobia – medo de ficar desconectado – também está muito presente.

G1 – No Brasil, a Universidade Federal de Minas Gerais analisou o uso de celular por pessoas com mais de 60 anos. O estudo concluiu que tempo demais no aparelho pode causar transtornos como insônia e ansiedade.

Com o passar do tempo, as formas de passar o tempo mudaram.

“Para ver vídeo, estudar macramê, para estudar crochê, para estudar tricô… Então, uso muito celular. Tanto é que eu tenho um celular, um tablet e um notebook”, conta a professora aposentada Iara Pereira.

 

Um grupo representa bem a transformação. Brasileiros que viveram a maior parte da vida no analógico, mas que hoje estão inseridos no digital, com seus prós e contras.

“Tem que ter cuidado, não abrir nem entrar no ‘saiba mais’ de qualquer coisa. Tem que procurar se prevenir e a nossa professora deixa a gente vacinado”, diz o aposentado Sergio Pimentel.

 

“Você começa às sete horas e daqui a pouquinho é dez horas e você não fez nada. Tudo é feito pelo celular. Eu uso demais”, conta a aposentada Marlene Mattos Fernandes.

Pesquisadores do mundo todo vêm estudando o uso excessivo de telas em idosos. A Universidade Federal de Minas publicou recentemente um artigo analisando os 20 trabalhos mais relevantes e identificou que entre os mais velhos a nomofobia – medo de ficar desconectado – também está muito presente.

As pesquisas foram feitas durante 11 anos com 50 mil idosos – 11 mil deles do Brasil.

“O desenvolvimento de dependência, maior dificuldade para lidar com fake news, exposição grande aos riscos de golpe. A gente não tem ali a definição de um tempo saudável, como a gente tem ali até os adolescentes”, afirma Renata Maria Silva Santos.

 

Outra conclusão é que telas em modo excessivo também afetam a qualidade do sono nessa faixa etária. E como fica até tarde jogando no celular, a Ivone, 80 anos, não tem energia para fazer o que fazia.

“É informação muito, tudo muito”, diz.

 

“Ela acorda cedo, mas fica horas no celular e perde o horário da hidroginástica. Mas ela está ativa no grupo da ginástica, mas não fisicamente”, conta Alexandra da Silva, filha da Ivone.

 

Por outro lado, ela diz que se diverte vendo vídeos, notícias, receitas novas.

A quantidade de tempo gasta com a tela importa, mas quem estuda o assunto diz que nesses casos é fundamental observar também como é que esse tempo está sendo gasto. Ou seja, qual a qualidade do conteúdo e o que ele provoca em quem está assistindo: é ansiedade, angústia, isolamento? Ou são estímulos positivos, como aprendizado, mais contato com a família, com os amigos? É preciso observar cada caso.

“Em termos de desenvolver estratégias. A família precisa voltar mais o olhar para vulnerabilidade dessas pessoas, porque elas precisam de atenção. A gente precisa melhorar esse cuidado, esse aporte mesmo de letramento do mundo digital para essa idade”, afirma a terapeuta ocupacional Renata Maria Silva Santos.

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