
A prefeitura de Belo Horizonte proibiu artistas que irão se apresentar na 4ª Virada Cultural de BH, neste fim de semana, de fazer qualquer manifestação de cunho político no palco. Quem violar a cláusula contratual pode ter o show interrompido, perder o cachê e ainda pagar multa.
A Fundação Municipal de Cultura (FMC) alega que é pra resguardar o cumprimento da legislação da eleitoral.
“Fica terminantemente proibida, antes, durante e após a apresentação artística aqui contratada, sob pena de resolução do presente contrato por culpa exclusiva da contratada, qualquer manifestação e propaganda de cunho político-partidário, bem como placas, faixas, propagandas em geral, camisetas, citações, sem que haja autorização expressa da contratante, sob pena de multa aqui ajustada em 100% (cem por cento) do valor total previsto no item 5 (valor bruto), além da imediata interrupção da apresentação artística, dando-se o mesmo por cumprido, ficando ainda a contratada responsável por ações civis e penais originadas em razão do seu ato.”
Os artistas que não são candidatos, nem planejam fazer propaganda eleitoral pra candidatos, ficaram putos com a impossibilidade de se manifestar sobre o momento político do país, para o que não há qualquer vedação eleitoral.
A bem da verdade, o que o prefeitura quer é evitar que artistas façam o que têm feito em vários shows e repercutido maciçamente nas redes sociais, denunciar o golpe e pedir Fora Temer.
Do meio artístico tem vindo as manifestações mais duras contra a ruptura democrática a partir do afastamento de Dilma Roussef.
O objetivo é impedir o coro para que Temer deixe o cargo que tomou em conluio com um parlamento repleto de investigados por corrupção para colocar em prática um plano de governo diametralmente oposto ao que 54 milhões de brasileiros elegeram.
O cantor Lenine, que se apresenta no encerramento da Virada no Parque Municipal (às 19h de domingo), disse que no contrato dele não há essa cláusula e que não planeja manifestar-se, vai depender do momento.
“Até porque essas coisas não se preparam. O melhor é estar ao sabor do momento. Ele interfere no que estou fazendo. O momento é quem diz.”
Tudo indica, que o momento, ao contrário do que planejou a prefeitura, vai inspirar muitos artistas à manifestação política, não a candidatos ou partidos.
